sexta-feira, 5 de março de 2010

# Brincando de Pinóquio #

Quando eu era pequena minha mãe sempre me dizia - “mentir é feio, filha”. Nesse aspecto, eu era bem teimosa, não tinha noção de como poderia ser ‘perigoso’ não falar a verdade. Já meu irmão era mais correto nesse ponto.

Eu era uma criança muito agitada e toda vez que eu fazia algo de errado - “não fui eu, mãe, foi Murilo” - e assim, meu irmão levava a culpa em meu lugar. Geralmente, eu corria arrependida e ficava escondida entre a geladeira e o armário da cozinha chorando, mas era tarde demais: ele já tinha levado o castigo. Até que, um dia, minha mãe descobriu que eu andava mentindo e passou a não acreditar em tudo o que eu falava, e, recentemente, tinha contratado uma empregada doméstica. Encontrei alguém que se ‘parecia’ comigo: enquanto arrumava as coisas e quebrava algo, colocava a culpa em alguém, e esse alguém era eu (estilo ‘o feitiço virou contra o feiticeiro’, sabe?). Eu chorava dizendo que não tinha sido eu e minha mãe nunca acreditava. Até que, um dia, ela colocou a culpa em mim e em meu irmão: não deu outra, foi despedida. Foi a partir desse dia que eu parei de brincar de Pinóquio: aprendi a importância de falar a verdade.

Durante toda a minha vida me deparei com “peças” que não tiveram uma lição igual a minha, pelo visto. Umas mentiam para se promover, outras mentiam pra prejudicar alguém ou simplesmente prejudicavam sem querer (querendo). Mas como diz uma música de Leoni – “Mas a verdade sempre vem bater à porta, a gente tenha ou não vontade” – todos acabam deixando a máscara cair, mesmo que demore. Ultimamente eu tenho percebido isso com mais freqüência, e a cada dia que passa está mais complicado colocar a mão no fogo por alguém...

Gradativamente, eu tenho aprendido a ser a mais sincera possível e isso, muitas vezes, me ‘prejudica’. Já tive a oportunidade de mentir o quanto eu quisesse, mas preferi “machucar com a pior verdade do que iludir com a pior mentira”. E de fato, não gosto de me arrepender por ter prejudicado alguém que não tenha nada a ver com as minhas falhas (e isso eu sei desde que me conheço por gente). Até que ponto mentir não vai ferir? Ou não, necessariamente, mentir, mas omitir (?). Não sei, mas sei que é ruim demais a gente se decepcionar com alguém que a gente goste: quebra o encanto e tudo muda da água para o vinho...

Ouvindo: Maria Gadú - Linda Rosa

3 comentários:

Vívi's disse...

aaah q graacinha o blog Nhaaaziinhaa,vou vir sempre aqui!! amei o tema do post,já começou arrasaando. "Nenhum mentiroso tem uma memória suficientemente boa para ser um mentiroso de êxito."
(Abraham Lincoln)
beijo amoree ;*

Thá disse...

"Umas mentiam para se promover, outras mentiam pra prejudicar alguém ou simplesmente prejudicavam sem querer (querendo)."

Achei que faltou uma opção!

Adorei a idéia do blog, você escreve muito bem. =)

Unknown disse...

Bela estréia, Mandy! Você sabe que eu sou bem à favor de blogs, mesmo que não seja atualizado com tanta frequencia, tipo o meu.
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Às vezes é bom soltar idéias assim. Eu descobri que os textos que a gente menos gosta, são os que mais tocam nos leitores. E pode acreditar: nossos textos sempre tocam alguém e o faz pensar, por mais simples que seja.

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Quanto à mentira... Eu nunca fui de mentir muito, nem quando criança. Talvez por isso algumas mentiras, pra mim, são imperdoáveis. Isso não é bom, mas enfim... Ser sincero faz a gente sofrer, porque dizemos o que os outros, talvez, não querem ouvir. Mas sofremos ali, na hora e pronto. Com mentira, o sofrimento nem tem fim...
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Caramba, isso foi quase um post. Páro por aqui. Hehehe.
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Beijo e escreva sempre.